Circuit bending é uma técnica curiosa. Ela vem da música e é basicamente uma modificação/criação de instrumentos eletrônicos provocando "curtos" propositais para ter resultados únicos e experimentais. A tradução seria algo como "dobrar" ou "torcer" circuitos, o que também é interessante, pois você literalmente distorce a conexão entre os circuitos eletrônicos fazendo contato entre fios que não deveriam se conectar.
O termo foi cunhado em 1992 (ano que eu nasci :D) pelo artista Reed Ghazala, mas ele já vinha praticando e fazendo experimentos desde a década de 1960. Encontrei no canal da Motherboard no YouTube um vídeo bem legal sobre ele, vou deixar aqui pra você (ele é em inglês, mas dá de boa pra ativar a legenda e tradução).
Essa prática também é muito ligada ao acaso, uma vez que esses pequenos "curtos" podem causar resultados diferentes e imprevisíveis, além de ser uma técnica relativamente acessível; com um brinquedo que faça som, por exemplo, já é possível praticar. Apesar de conhecimentos de solda ajudarem, pelo menos na minha experiência, não é algo essencial — depende muito do tipo de aparelho eletrônico que você escolhe, mas há formas de contornar.
Se você quiser descobrir ainda mais sobre esse background histórico, encontrei o artigo de Jason J. B. Hodgson no Research Gate 1| Hodgson, J. J. B. Circuit-Bending: A Micro History. 2017 bem interessante. Ele está em inglês, mas vamos lá né — se precisar, dá pra usar tradutores aos poucos.
Ele também vem sendo explorado na fotografia e no audiovisual, onde dá pra criar distorções, glitches e outros efeitos de maneira analógica, sem precisar de softwares. E pra variar, eu acabei fazendo alguns experimentos por aqui e vou compartilhar com você o processo e alguns resultados. Como eu gosto de colocar label em tudo, chamei essa série de "Rotina em curto". Vamos lá.
O circuit bending
O projeto que eu fiz foi usando uma câmera simples. Pensei em começar com uma cybershot, mas não queria arriscar destruir uma câmera cara na primeira experiência, então usei aquelas câmeras infantis vendidas em sites como Shopee e Aliexpress. A que comprei custou R$35 com entrega.
A primeira coisa que fiz foi desmontar a câmera com luvas de látex, uma chave simples e uma pinça de plástico. Removi a frente, desconectei o cabo flat da placa, puxei a placa para lateral e reconectei o flat.
Com a câmera ligada e um pequeno pedaço de cabo descascado, comecei a conectar pontos aleatórios do flat. Cada combinação gerava um tipo de glitch diferente. Algumas vezes a câmera travou, mas bastava reiniciar.
Quando encontrei uma combinação interessante, como não tinha solda, encaixei as pontas sob o flat e a trava acabou fixando.
A experiência foi curiosa e relativamente simples. Já vi versões com múltiplos cabos e switches para alternar efeitos, mas aí já exige solda.
Agora vou te deixar com o resultado e um encorajamento pra você tirar um tempo no final de semana pra go wild e experimentar algo diferente.
Rotina em curto (2025)