Acho que esse post é só um lembrete ou uma memória, não sei, pode ser qualquer coisa, mas é sobre ter sucesso em falhar.

É isso. Perdi as contas de quantas coisas planejei, comecei, experimentei, e em praticamente tudo, eu falhei. Mas falhar não é ruim, é apenas um aprendizado sobre o que eu quero mesmo dar continuidade ou o que eu tentei e tudo bem se não é para ser. Não acredito em destino, mas aprendi a acreditar em "um dia de cada vez".

E qual o motivo disso importar? Bom, levei muitos anos, a vida toda, pra entender — e ainda estou digerindo, que eu não preciso fazer nada e posso fazer nada sem culpa. Na verdade, esse fazer nada sempre foi o que me apavorou. Precisava estar sempre produzindo, criando, compartilhando, tentando isso ou aquilo, preenchendo um vazio que acredito ser comum para todo mundo.


Até que me caiu a ficha que o vazio não é um vazio, ele não precisa ser preenchido. O silêncio pode ser silencioso, a solidão pode ser solitário, é redundante, mas nos esquecemos disso. Esquecemos como é apenas estar, apenas sentir, apenas viver.

Não que os problemas e pensamentos não esteja ali, eles estão, mas são nuvens que podemos soprar e olhar elas passarem, sem que tomem o melhor de nós. Elas estão ali. E tudo bem.

Eu não planejei postar isso, mas estive na blogosfera lendo sobre tantas ansiedades e desejos, frustrações... e queria apenas compartilhar isso. Que não tem problema em falhar, não conseguir postar por achar que precisa postar algo, e isso é só um pequeno de vários exemplos, nós precisamos desapegar das demandas, dar o nosso melhor quando sentimos a oportunidade, mas também entender que não é um defeito ou errado fazer nada ou não conseguir fazer, pois isso é um estado temporário e uma oportunidade para apenas nos deixamos levar por esse fluxo da vida.

Bauman falou sobre essa ansiedade que nos coloca em movimento constante, um medo de parar e afundar. Mas esse afundar é necessário, pois não é um afundar em desgraças ou coisas ruins, mas uma transgressão à tudo aquilo que nos força estar em movimento, ansiosos, e uma oportunidade para apenas olharmos para nós, para o próximo, para tudo, respirarmos, e como Han também coloca, transformar o ócio em algo que transcende, arrebata e nos permite encontrar um tipo de paz que não se busca, não se faz, ela existe o tempo todo, só precisamos nos permitir.

Eu sei, sem ingenuidade, isso é difícil e para algumas pessoas e situações, quase impossível, ou não, mas talvez pra você, isso faça sentido e se for suficiente pra você repensar e tentar se permitir, bom, já é um grande passo.

Isso e´uma nota pra mim mesmo, e talvez pra ti, mas, se em algum momento você sentir que precisa fazer algo e não consegue, que a pressão, a ansiedade, o medo te segurarem... o mundo vai continuar girando, se permita fazer fucking nada sem se cobrar, sem o peso nas costas, se permita o descanso.